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Ansiedade na adolescência: quando a escola pede ajuda e o sistema demora a responder

Por Dra. Camila Ferreira · 12 de junho de 2026

Ilustração abstrata sobre adolescência e saúde mental
Entrevistas com educadores, pais e especialistas em três regiões metropolitanas.
A adolescente não quer faltar à aula — ela quer conseguir ficar sentada sem sentir que o peito vai explodir. São coisas diferentes. — Professora de línguas, escola estadual em Campinas

O que a escola vê

Coordenadores pedagógicos ouvidos em Campinas, Fortaleza e Belém relatam aumento de encaminhamentos para avaliação psicológica nos últimos dois anos. Nem sempre se trata de transtorno clínico — às vezes é conflito familiar, bullying ou sobrecarga de atividades —, mas a fronteira entre "fase difícil" e quadro que exige intervenção especializada é difícil de traçar na correria do dia a dia escolar.

Professores descrevem sintomas que reconhecem: taquicardia antes de provas, isolamento no recreio, queda abrupta de rendimento. O que falta, dizem, é formação consistente para lidar com crise em sala e canal claro de comunicação com serviços de saúde.

Famílias em espera

Conversamos com onze famílias que buscaram avaliação psiquiátrica ou psicológica para filhos entre 12 e 17 anos. O tempo de espera na rede pública variou de seis semanas a mais de cinco meses, dependendo da cidade. Famílias com plano de saúde nem sempre encontraram caminho mais rápido: algumas relataram dificuldade de agendar psiquiatra infantojuvenil na rede credenciada.

Um pai em Fortaleza descreveu meses alternando entre UBS, CAPS infanto-juvenil e consultório privado antes de obter diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada. "Ninguém foi ruim conosco", disse. "Mas ninguém também assumiu o caso de ponta a ponta."

Diagnosticar cedo pode salvar anos de sofrimento. Diagnosticar cedo demais, sem critério, pode colar um rótulo que acompanha a criança por toda a escola.

Diagnóstico e rotulagem

Psiquiatras e psicólogos infanto-juvenis ouvidos concordam em parte: há subdiagnóstico histórico em populações periféricas e, simultaneamente, risco de medicalização excessiva em contextos onde famílias e escolas esperam resposta rápida. Avaliação multidisciplinar, entrevista com pais e observação ao longo do tempo continuam sendo padrão recomendado — difícil de cumprir quando a fila não para de crescer.

O texto não toma partido contra medicação: em casos moderados a graves, ela pode ser necessária e eficaz. Insiste, porém, na importância de acompanhamento psicossocial concomitante — recurso escasso em várias regiões.

Rede pública

CAPS infanto-juvenil existem em núcleos urbanos maiores, mas concentração de equipes e deslocamento longo afastam famílias da periferia. Projeto piloto em Belém integra psicólogo escolar municipal com referência técnica do CAPS — modelo elogiado por especialistas, ainda dependente de verba específica que pode não se perpetuar.

Caminhos possíveis

Não há solução única. Especialistas citam três frentes: ampliar formação de profissionais infanto-juvenis, integrar escola e saúde com protocolos claros, e combater estigma para que adolescentes peçam ajuda antes da crise se instalar. O Horizonte Mental continuará acompanhando experiências locais e publicará entrevista com equipe do CAPS de Campinas na próxima quinzena.

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Depoimentos com consentimento; nomes alterados quando pedido. Dados oficiais consultados em maio-junho de 2026. Texto informativo — não prescreve conduta individual.

Profissionais de diferentes regiões concordam que o acesso é desigual. Interior depende de telerregulação e de profissional visitante mensal.

Universidades formam especialistas, mas absorção pelo mercado público é lenta. Concurso travado significa paciente na fila.